sexta-feira, 12 de março de 2010

“Geraldão”


“Geraldão bebe, fuma muito, vive atacando a geladeira e toma todos os remédios que vê pela frente. No começo, ele usava uma calça sem elástico. Hoje, passa o dia todo peladão”. Essa é a descrição que temos do famoso personagem criado pelo cartunista Glauco Villas Boas, que descobriu no seu talento a paixão pelo desenho e alegrou por mais de 25 anos as páginas da Folha de S. Paulo com suas tirinhas de humor.
Infelizmente, hoje Glauco não trouxe alegria, deixou saudade. Quem teve a chance de conhecê-lo lamenta a perda de um grande artista e um ser humano admirável. Aos leitores, cabe a saudade das histórias do Geraldão, que perto dos 30 anos é solteiro, mora com a mãe - com quem tem uma relação neurótica- e continua virgem até hoje. Quem já leu, deu muitas risadas com a Sônia Braga, não a atriz, mas a boneca inflável do Geraldão, que foi sua primeira paixão. O personagem foi lançado em 1981 no livro independente Minorias do Glauco. Entre outros que trouxeram boas risadas estão:

Casal Neuras
Outra tirinha de sucesso de Glauco é o Casal Neuras. Criado em 1984, o casal é baseado no primeiro casamento do cartunista. Os personagens são "uma mulher que não é mais submissa e por um homem com pose de liberal, mas que morre de ciúmes dela". O site oficial afirma que o casal foi a forma do autor exorcizar o fantasma do machismo.

Dona Marta
Educada à maneira antiga, Dona Marta, ao ver que não arrumaria namorado, "passou para o ataque". Criada em 1981, junto com Geraldão, a personagem não importa quem seja, mas ataca o chefe, o entregador, ou quem estiver passando. O site do cartunista afirma que a personagem é baseada em uma amiga de Glauco que "até hoje, não sabe que virou desenho".

Zé do Apocalipse
O site de Glauco descreve Zé como o "profeta brasileiro", que acredita que o Brasil é "o berço de uma nova raça, a terra do novo milênio" e fica difundindo suas ideias em praça pública. O personagem é baseado em um amigo do cartunista que vive em uma comunidade alternativa.

Doy Jorge
O personagem é inspirado na noite paulistana e uma crítica ao consumo de cocaína: o personagem é um roqueiro malsucedido que usa drogas pesadas. Pelo conteúdo pesado, Doy Jorge estreou nos anos 80 nas revistas de Glauco e depois passou à Folha.


Fica aqui minha simples homenagem ao Glauco. Pois dar vida a traços de lápis não é missão para qualquer um. Tem que ter a pureza de uma criança e o humor de bom vivant.

Um comentário:

Alucinanjo disse...

Sacanearam com quem fazia da sacanagem uma arte...